DOENÇA CELÍACA É ALGO MUITO SÉRIO

21 de março de 2014

 Brasileiros com doença celíaca ultrapassam 2 milhões, mas grande maioria desconhece diagnóstico

Doença é caracterizada por mal estar ao consumo de produtos com Glúten, proteína presente em trigo, aveia e cevada

Sem pão na mesa. Uma cervejinha na praia? Jamais! Aquele achocolatado antes de ir para a escola pode ser perigoso. E os xampus e sabonetes provocando dores de barriga, quem já ouviu falar? Para a maioria das pessoas essas ações parecem incabíveis, mas não para os celíacos – pessoas geneticamente predispostas com intolerância permanente ao Glúten, substância presente em boa parte dos produtos que consumimos no dia a dia.

A estudante Ana Carolina Guimarães, de 17 anos, convive com esta limitação desde o primeiro ano de vida, quando seus pais observaram a primeira reação. “O diagnóstico inicial foi lactose, mas minha mãe queria certificar e procurou outros profissionais, que atestaram ser doença celíaca”, explica. A dieta teve de ser adaptada. Cortaram todo e qualquer alimento que possuísse a proteína, a exemplo do trigo, centeio, aveia e cevada. Ana comenta que não passa fome nem sente falta de saborear certos alimentos, afinal, algumas marcas substituem o Glúten por outros produtos.

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“É preciso apenas cuidado na hora de fazer compras. Procuro sempre a informação sobre o Glúten no rótulo, é importante, pois a maior prejudicada na compra de um produto errado sou eu”, conta. A estudante não fala apenas de alimentos. Existem xampus, sabonetes e maquiagens com adição de Glúten na composição e também podem agredir o organismo do celíaco. “Há alguns anos, eu e minha família nos mudamos e no terreno ao lado tinha um moinho, que todo fim de semana entrava em atividade. Só em respirar o trigo moído eu passava mal. Nós já temos dificuldade em ganhar peso, e essa experiência apenas reforçou a condição, até que fui considerada com anemia e tivemos de trocar de casa outra vez”, ela lembra.

No Brasil, de acordo com o Conselho Nacional de Saúde, a doença celíaca afeta em torno de 2 milhões de pessoas, mas grande parte delas sequer sabe a existência de uma patologia relacionada ao Glúten. Ainda segundo a fonte do Governo Federal, a cada 400 brasileiros um é celíaco, e apenas um em cada oito portadores possui diagnóstico. A predominância é de 3:1 em mulheres, com predisposição genética.

Gastroenterologista do Hapvida Saúde, Karine Caldas explica que a doença celíaca tem o intestino delgado como campo, dificultando o organismo de absorver nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água. “O diagnóstico é obtido através de exame de sangue e endoscopia com biópsia do intestino delgado. A biópsia de controle não deve ser feita antes de 2 anos. O processo de regeneração da mucosa é lento e pode levar até 3 anos para haver recuperação total”, descreve ela.  “A dieta é o único tratamento eficaz até o momento. As melhoras na qualidade de vida começam a aparecer após alguns dias, a contar do início da dieta. O intestino delgado normalmente leva algum tempo para estar completamente recuperado, mas a alimentação regrada deve ser seguida por toda a vida, para garantir a plena saúde do paciente”, orienta a médica. Para os não-celíacos, ingerir alimentos sem Glúten não fazem qualquer mal. A recíproca não acontece. Karine alerta para a observação atenta aos rótulos de produtos industrializados. “Existe uma Lei Federal (nº 10.674/2003) que determina a obrigatoriedade de constar nas embalagens as inscrições ‘Contém Glúten’ ou ‘Não contém Glúten’, conforme o caso, visando garantir o direito à saúde do cidadão celíaco”, completa.

 

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